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PRÓXIMAS DATAS DO CURSO DE PILOTAGEM DEFENSIVA

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Comportamento Pessoal É Mais Importante Do Que Somente Ter As Técnicas Na Pilotagem

Queridos amigos e alunos. 
Um mestre na pilotagem, meu amigo e nosso irmão, amante da vida, chamado
 Leandro Donato. Melhor: Donato Pegasus. Ele nos mandou um post muito interessante para este Blog. As dicas abaixo provam que nosso comportamento na pilotagem são mais eficientes para se defender contra o acidente do que  somente ter as técnicas na dirigibilidade na moto.
Leiam o que ele mandou para nós. Vale ler itém por itém. São dicas preciosas para a segurança do motociclista.
Donato, valeu! Um grande abraço a você e aos meus queridos leitores.

50 dicas – Para Motociclistas

 1. Pense que ninguém te vê Porque para a maioria dos motoristas, você é invisível, mesmo! Nunca faça um movimento imaginando que o outro motorista está vendo você, mesmo que você tenha acabado de ver seus olhos. Motos muitas vezes não fazem parte das cabeças de quatro rodas.2. Seja paciente As conseqüências de encarar um erro ou uma disputa no trânsito começam mal e sempre acabam PIOR. Finja que foi a sua mãe que fez aquela barbeiragem e perdoe a falha.3. Ponha roupas para encarar um acidente, não uma piscina ou uma festinha de verão Com certeza, a padaria do bairro é uma viagem de 5 minutos, mas ninguém está planejando comer asfalto, está? As roupas modernas de tecidos ventilados significam que 40 graus à sombra não são desculpa para camisetinhas e shortinhos de surfista (aliás, você sabe pegar onda, por acaso?)4. Espere o melhor, mas esteja preparado para o pior Esteja pronto para uma fechada, para uma surpresa que nunca deve ser inesperada. Não existe “apareceu de repente”, “veio do nada” ou “eu achei que ele ia… “.5. Deixe seu ego em casa As únicas pessoas realmente interessadas em saber se você estava mais rápido que o outro na avenida são o policial e o Detran.6. Preste atenção no que está fazendo Tem um ônibus na sua frente parando de repente para um tiozinho que fez sinal em cima da hora. Se ligue!7. Espelhos mostram só uma parte do ambiente Nunca mude de direção ou de faixa sem olhar para trás para confirmar que você realmente pode virar ou mudar de faixa.8. Seja paciente Espere mais um ou dois segundos antes de entrar na pista, começar a andar ou sair para ultrapassar. Você é pego pelo que NÃO VIU! Aquela olhadinha a mais vai salvar sua pele.9. Preste atenção na diferença de velocidade Passar por carros ao dobro de sua velocidade ou mudar de pista para passar por um monte de carros parados é somente um jeito mais rápido de conhecer São Pedro (e se você tiver acumulado méritos para conhecê-lo!).10. Cuidado com a calçada Um monte de surpresas acaba chegando das calçadas: sacos com objetos dentro, pregos, antenas de TV, tijolos, escadas, sofás velhos, escolha o que quiser! Procure problemas nos cantos e não ande junto à calçada, você está no tráfego.11. Carros entrando à esquerda ainda são os maiores assassinos de motociclistas Não ache que o motorista vai esperar passarem todos os motociclistas antes de se enfiar à esquerda, não. Eles também estão tentando ser rápidos!12. Cuidado com carros passando no vermelho Os primeiros segundos após o sinal mudar são os mais perigosos. Olhe SEMPRE para os dois lados antes de cruzar o semáforo depois de aberto.13. Olhe os retrovisores Olhe os espelhos retrovisores sempre que mudar de faixa, diminuir a velocidade ou parar. Esteja pronto para se mover se o outro veículo for ocupar o espaço onde você está. 14. Deixe espaço na frente No Brasil se anda sempre MUITO colado. A regra geral que se usa pelo mundo é de 3 segundos de distância do veículo da frente. Melhor ainda se você observar tudo que aparecer na sua frente para os próximos 12 segundos (no horizonte). Todos os seus problemas estão aí dentro desses espaços.15. Cuidado com os carros equipados Eles são rápidos e seus motoristas são agressivos. Não imagine que você passou por ele e que está tudo resolvido, ele está logo aí atrás. Você pode acabar como um novo enfeite na grade frontal do carrão dele.16. Entrar em curvas em alta velocidade machuca É a maior causa de acidentes com motociclistas sozinhos e em estradas sinuosas e pistas de corrida. “Entre devagar, saia rápido” é há muitos anos a regra dos campeões das pistas. 17. Não acredite na eficiência da polícia florestal Se na área onde você está podem aparecer animais, não vá pensar que a polícia rodoviária ou florestal vai conseguir tirar cada um deles da sua frente. Vá devagar, olhe para as margens da Estrada e fique vivo.18. Já está muito tarde para você começar a usar os dois freios O dianteiro faz a maior parte da parada, mas um pouco de traseiro na entrada das curvas pode acalmar uma moto nervosa.19. Mantenha SEMPRE alguns dedos sobre o freio dianteiro Economize um segundo no tempo de reação a 85 km/h e você pode parar 30 metros antes (e talvez até conseguir escapar do impacto). Pense nisso!20. Olhe para sua trajetória Use o milagre da fixação de objetivo em seu próprio benefício. As pesquisas mostram que a moto vai para onde você olha, então olhe para a solução no lugar de olhar para o problema.21. Mantenha seus olhos em movimento O tráfego está sempre mudando. Portanto, continue sempre procurando por problemas. Não trave seus olhos em um só ponto por muito tempo, a menos que você esteja realmente em problemas sérios.22. Pense antes de agir Avalie com cuidado a situação quando pensar em ultrapassar rapidinho aquele táxi está a 15 km/h numa área com limite de 60 km/h, ou você pode acabar com sua cabeça dentro do carro que virou à esquerda “DO NADA”.23. Não olhe para o chão – levante sua cabeça É sempre tarde para fazer qualquer coisa quando o problema está a 10 metros. Olhe lá longe e mude a direção. 24. Preste atenção em seu caminho A maioria dos acidentes acontecem durante os primeiros 15 minutos de seu trajeto, abaixo de 60 km/h, em um cruzamento ou via secundária. É, exatamente, ali por onde você passa toda hora.25. Pare totalmente em cada placa de “PARE” Isso, ponha seu pé no chão. Olhe de novo. Qualquer outra maneira de fazer isso pode forçar uma decisão imediata, sob pressão e sem tempo para identificar uma situação de risco.26. Nunca entre às cegas num corredor de trânsito parado Os carros devem estar parados por alguma boa razão, e você pode não vê-la até que seja tarde demais para fazer alguma coisa. Não ande a mais de 30 km/h acima da velocidade dos outros veículos. Se estiver a 40 km/h, você vai ver que cair no meio do trânsito não é assim tão confortável.27. Não abrace um urso! Se você pesa 50 quilos, por favor não tente rodar por aí em uma estradeira-monstro de 400 kilos! Se você tem só um metro e meio de altura, tem certeza que precisa uma altíssima big trail? Pega leve!28. Procure pelas portas de carros que se abrem no tráfego Acertar um carro que desvia de uma porta aberta é exatamente tão dolorido quanto o primeiro caso.29. Não entre num vício de cruzamentos iguais Procure placas de “PARE” mesmo depois de uma longa série de esquinas em preferência para você. Se você está imaginando que o tráfego vai parar pra você, vai acabar encarando uma surpresa no mínimo bem dolorida.30. Tenha espaço para se movimentar quando trafegar Pilotar dentro de um amontoado grupo de motos é um bom jeito de acabar no meio do mato. Qualquer grupo de motos que valha a pena acompanhar terá um ponto de encontro marcado à frente para reencontrar os “desgarrados”.31. De tempo para seus olhos se acostumarem Vá devagar e com farol baixo até que seus olhos se acostumem com a escuridão ao sair de lugares muito iluminados. Fechar um dos olhos até chegar ao local escuro também ajuda, senão você estará dirigindo às cegas por uns 2 quilômetros!32. Domine a meia-volta Pratique este retorno apertado até ficar bom. Ponha suas nádegas na beirada do banco no lado contrário à curva e deite a moto para dentro da curva, usando seu corpo como contrapeso enquanto gira em cima da roda traseira. É uma excelente manobra para não bater no carro da frente ou para escapar daquele bueiro sem tampa. 33. Quem colocou uma placa “PARE” no meio dessa subida? Não entre em pânico. Use o freio traseiro para manter a moto no lugar enquanto usa o acelerador e embreagem com atenção para sair sem problemas. 34. Se parece escorregadio, então é mesmo! Um trecho de chão suspeito pode ser só mais uma mancha. Manteiga? Cascalho? Óleo? Pode não ser nada, mas é melhor diminuir ANTES de pisar num sabãozão. Se não era nada, melhor. 35. BUM!!! Estouro de pneu! E agora? Sem movimentos bruscos. A moto não estará feliz embaixo de você, então se prepare para usar um pouco de músculos para manter a trajetória. Alivie o acelerador e use o freio bem leve com a roda boa (traseira ou dianteira) e vá procurando a melhor direção para sair da pista. Agora, pode voltar a respirar. 36. Pingos na viseira? Começou a chover. O asfalto apenas umedecido é muito mais escorregadio que depois de uma forte chuva tropical, e você nunca sabe o quanto ele está liso. Use máxima concentração, cuidado e suavidade nos controles. 37. Emocionado? Já dizia o velho ditado: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece”. As emoções são tão fortes quanto qualquer droga, então observe a você mesmo quando for sair. Se você está nervoso, triste, exausto ou ansioso, sente e conte até 100 mil.38. Vista roupas adequadas Ponha roupas que sirvam bem em você e ao clima. Se você está com muito frio ou com muito calor ou brigando com uma jaqueta onde cabem dois de você, você já está em problemas. 39. Deixe seu iPod em casaVocê não vai ouvir o caminhão de cimento a tempo se estiver ouvindo a banda Calipso. A única coisa que vai ficar atraente são seus fones de ouvido como brinde para o pessoal da SALA DE CIRURGIA. 40. Aprenda a fazer desvios de emergênci Esteja pronto para fazer dois desvios de emergência em seguida. Desvie de um obstáculo pela esquerda e logo em seguida de volta à sua trajetória original à direita, e vice-versa. A moto vai seguir seus olhos, portanto olhe para o caminho e não para os obstáculos. Pratique isso até que seja um reflexo normal, sem pensar.41. Seja suave em baixa velocidade De nada adianta sua enorme agilidade se você estiver devagar. Tire as forças dos movimentos com um trabalho leve nos freios traseiros. Isso minimiza muito indesejáveis transferências de peso e inércia, e facilita alinhar e posicionar a moto exatamente onde e como desejamos.42. Piscar luz de freio é uma boaAs setas dos outros veículos te chamam a atenção porque piscam? Pisadinhas leves no pedal ou toques rápidos na manete do freio dianteiro antes de realmente frear sua moto vai alertar o tráfego atrás.43. Cruzamentos são perigosos, então garanta suas chances Ponha outro veículo imaginário entre sua moto e o veículo à frente para evitar que outro veículo cruzando acerte você bem de lado. Diminua, assim, pela metade a chance de acidentes. 44. Ajuste sua visão periférica Olhe para um ponto bem à sua frente. Agora procure ver as coisas ao seu lado movendo apenas sua atenção, sem mover os olhos. Quanto mais você conseguir ver sem virar os olhos ou a cabeça, mais cedo vai reagir aos problemas.45. Sozinho num semáforo que não muda nunca? Se for um semáforo inteligente, você pode mudá-lo! Procure um fio sensor de presença antes da faixa de pedestre (um quadrado riscado em preto no chão) e posicione o motor da moto em cima dele (o sensor tem um campo magnético). Se o semáforo não mudar, baixe o descanso lateral bem sobre o fio, que as suas chances de mudá-lo para verde vão melhorar. Se não der, relaxe e espere, você já tentou de tudo…46. É mais difícil ver à noite Ajuste e limpe seus faróis e viseiras transparentes e tenha uma visão melhor do que uma simples idéia do que está ali na frente. Ao anoitecer, troque viseiras escuras pelas transparentes.47. Não trafegue perto ou ao lado de caminhões Se um daqueles 18 pneus monstruosos estourar — o que acontece com BASTANTE FREQÜÊNCIA – ele vai se transformar em vários projéteis de borracha e aço violentíssimos. A não ser que você goste de brigar com uma chuva de destroços, fique longe ou passe logo por ele. 48. Tire o pânico das paradas de emergência Desenvolva uma intimidade muito grande com seu freio dianteiro. Procure um lugar deserto e seguro em asfalto liso e limpo. Faça centenas de frenagens começando bem suavemente e freando cada vez mais forte até descobrir aquela força na mão ideal entre a frenagem máxima e a roda travada (frenagem máxima = pneus CANTAM ligeiramente, mas a roda NÃO TRAVA). Repita isso com cuidado MUITAS vezes até ficar muito bom. Pronto.49. Tenha pneus adequados Nada do que você leu até aqui vai servir a não ser que você tenha os pneus adequados. Não os subestime. Tenha certeza que eles estão bem calibrados todo tempo. Procure cortes, pregos e outras porcarias que tenham se prendido a eles. Procure sinais de ressecamento e desgaste. Troque logo que puder, os pneus são a essência da dirigibilidade. E não use pneus de marcas diferentes ou novo com usado na dianteira e na traseira, isso muda completamente a estabilidade da moto.50. Respire fundo Conte até 10. OU até 100. Desculpe e peça desculpas, dê passagem e vá devagar, apreciando o passeio. Deixar de andar a 130 km/h e demorar para chegar é muito melhor que arruinar sua vida e ir para uma cadeira de rodas ou um caixão.

Autor desconhecido.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quem Somos No Trânsito? Ou Melhor: O Que Fazemos Para O Nosso Bem Estar?

Amigos leitores e queridos alunos. Este artigo foi postado pela jornalista, e amante da vida, Mariana Czerwonka, do Blog do Trânsito.

 Em minhas aulas de Direção Defensiva sempre critiquei a separação, a distinção, a segregação daqueles que fazem parte do trânsito. Quem são estes? Ora, são: pedestres, motoristas profissionais e amadores, motociclistas ou motoqueiros, ciclistas e muitos outros objetos inanimados ou não. Pois todos fazem parte de um conjunto, de uma sociedade chamada trânsito! Desta feita, todos são responsáveis de evitar um acidente, não importa os culpados pela lei, mas sim os culpados por estarem prontos a evitarem o acidente e não evitam, talvez por seguir as leis, naquele momento, e,  assim, os errados ( ou aqueles que não estão seguindo as leis) que se cuidem, "que se virem".  Ou seja: "cada um com seu problema".

Sempre disse,  e continuarei dizendo:"...quem deve evitar os acidentes são aqueles que percebem os erros dos outros,  pois os outros estão errados e , portanto, não estão aptos de evitarem seus erros, porque, naquele momento, seus erros estão escondidos, imperceptíveis. Quem percebe estes erros são os responsáveis de evitar a tragédia..."

O trânsito é uma comunidade onde todos passam apertos, alegrias, tristezas, raiva... Assim sendo, precisamos nos conhecer melhor e nos ajudar uns aos outros, reconhecendo nossos erros e tolerando os erros dos outros. Afinal das contas, quem nunca fez uma besteirinha no trânsito?

Excelente artigo, abaixo mencionado por Mariana.

Mariana, acho que todos meus alunos concordam comigo: nosso desejo é que seu coração esteja sempre voltado ao bem estar dos outros. Obrigado por esta ajuda.

O perigo ronda…a difícil vida do motociclista!

Postado por Mariana Czerwonka em dezembro 7th, 2010
Um dia destes estava vindo para o trabalho e um fato que ocorreu no trânsito me fez refletir bastante. Estava chovendo, eu de vidros fechados, música rolando (não tão alto), decidi mudar de faixa na via que estava trafegando. Sinalizei, olhei pelos retrovisores, não vi e nem ouvi nada e como achei que a mudança era segura, fui realizá-la. Sorte que estava em baixa velocidade, pois eu não tinha visto uma motocicleta que trafegava no corredor entre os veículos e deu tempo de recuar a manobra.
Ouvi aqueles belos xingamentos do motociclista, e como boa condutora defensiva o ignorei…Ignorei, mas fiquei pensando sobre aquele “quase” acidente. Primeiro fiquei fazendo um mea culpa e pensando onde errei. Talvez foi em não ouvir o ronco da moto, ou não ter levado em consideração o ponto-cego do meu carro. Depois comecei a pensar sobre o ponto de vista do motoqueiro. Será que ele tem a noção do perigo que está correndo?
Ele pode ter me xingado, julgado, afinal, se o acidente ocorresse talvez eu fosse mesmo considerada culpada pelo fato de estar mudando de faixa. Mas quem sairia perdendo mais? Eu certamente me incomodaria muito, porque não me conformaria em ter causado um acidente. Perderia noites de sono, me sentiria culpada, talvez tivesse alguns prejuízos financeiros, mas e o motociclista? Se ele se machucasse, poderia sofrer com dias de trabalho perdidos, com internação hospitalar, com gastos em remédios, enfim, isso se fosse um acidente leve que acredito seria, por eu estar em baixa velocidade. E os acidentes graves, quem sai perdendo mais? Não preciso nem responder.
Os motociclistas podem se achar corretos em andar nos corredores, no meio dos veículos, por prezar a agilidade, mas é muito fácil ocorrer um acidente nesta situação. Os pontos-cegos existem, os condutores não fecham motociclistas de propósito. E os “motoqueiros” precisam ter essa noção. Precisam saber que são elementos frágeis e que eles devem ser os maiores interessados em sua própria segurança.
Essa história que contei é só para nos ajudar a refletir um pouco mais. Será que as vantagens de transitar pelos corredores são tão maiores quanto à própria vida do motociclista? Será que vale a pena? Bom, quem tem que responder são vocês!!!! Até a próxima!

Amiga Mariana, e a todos meus leitores, convido-os a lerem o post, neste Blog, sobre a diferença entre pilotar em corredores e ultrapassagens "Pilotar Em Corredores: Diferença Entre Ultrapassagem E Pilotar Em Corredores"
Um grande abraço a todos.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Vamos Pilotar Na Chuva?

Queridos alunos e amigos leitores. 
Coisa mais chata do mundo é pilotar na chuva. Viseira do capacete embaça, não se enxerga quase nada com os respingos na viseira. Se não estiver com roupas apropriadas de chuva, inclusive calçados e luvas, a concentração piora na pilotagem.
Mas vamos pilotar. 
PNEUS: Na primeira oportunidade, verifique se os pneus de sua motoca possuem um composto com silícia. A silícia absorve melhor a umidade e tem uma característica de aumentar a temperatura da borracha com mais rapidez e demora mais para resfriar, quando o pneu não está em rodagem. Lembrem-se que os sulcos dos pneus só servem para uma coisa: tirar (escoar) a água do caminho e evitar a aquaplanagem. Portanto, não se iludem. Não acreditem somente em um pneu com sulcos profundos ou com desenhos bastante apropriados para o escoamento da água, mas acreditem em um pneu com um composto de borracha aderente ao molhado. E, mesmo assim, vá com calma. Pista molhada não tem a mesma aderência de uma pista seca. Parece óbvio o que eu disse, porém, para muitos motoristas e motociclistas não é tão óbvio assim.
PIOR MOMENTO DA CHUVA: O comecinho da chuva, aquela que molha pouco e que em nossa mente acreditamos que, como a pista ainda não está tão molhada assim, é menos perigosa. Este começo de chuva é o mais perigoso. As pistas estão, sim, molhadas e, para complicar, sujas também. Pode ter o melhor pneu do mundo, a pista suja (detritos, sujeira, óleo) somente desgrudam do chão e ficam ali mesmo, como um sabão, esperando nossa frenagem brusca e as inclinações em curvas mais acentuadas, com aquelas retomadas de acelerações nas saídas de curvas e.... chão! 
Embora pareça estranho, quando a chuva é mais forte, o chão, embora molhado, fica limpo, sem aqueles detritos, sujeira e óleo, pois são lavados e levados para os cantos das pistas ( ou deveriam ser levados. Vai acreditar na engenharia de nossas estradas!). Desta forma pode-se acreditar um pouquinho mais nos sulcos dos pneus.
RISCOS DESNECESSÁRIOS: Em situação de chuva não se esqueçam de que não é somente você, piloto, que enxerga menos. Os motoristas ficam com visão turva em seus espelhos retrovisores. Evitem, por exemplo, pilotarem em "corredores" ou ultrapassarem muito perto dos carros. Os motoristas despercebem a presença repentina dos motociclistas. As atenções estão mais concentradas em desviar de poças d'agua nos cantos das vias do que os outros ao seu lado. Com as janelas fechadas dos carros, a buzina de sua moto não servirá muito para chamar a atenção. Nunca se esqueçam dos faróis (de preferência altos) ligados. Motociclista tem que se aparecer (principalmente em situações de falta de visibilidade). O lema é: VER E SER VISTO.
NÃO SEJA TÃO BRUTO ASSIM! Manobras bruscas, tentem evitar. Principalmente em cima de faixas de sinalização de solo, onde, geralmente, não possuem um composto misturado na tinta de borracha para escorregar menos. Esta faixas de sinalização são um perigo. No post "Uma Questão de Sensibilidade: Três Fases da Frenagem", explico a condição de frenagens dianteiras e traseiras. É muito importante sentir em seus dedos, em suas mãos, em seu corpo o tipo de aderência na pista que está rodando. Frear sem esta sensibilidade poderá causar derrapagens frontais e traseiras. Pilote em uma velocidade compatível a evitar esta situação. Para os pneus mais duros, mais cuidado ainda. Por isso, fiquem mais distantes dos veículos a sua frente. Se um veículo está grudado em você, saia da frente dele, na primeira oportunidade, pois, sem dúvida, se você precisar de frear, ele não conseguirá parar a tempo!
NAS CURVAS: Há três principais posições do piloto em curvas. A posição em curvas em pistas molhadas é deixar o corpo mais inclinado do que a moto. Ou seja, incline teu corpo para dentro da curva e deixe sua moto "o mais em pé possível". Empurre sua moto com as pernas no sentido da curva. Não saia com a bunda para fora do banco da moto. Incline somente teu tronco para dentro da curva, ao mesmo tempo tuas pernas empurrando contra o tanque da moto puxando para dentro da curva. É evidente que sua velocidade estará bem mais lenta do que se estivesse em pista seca. Isto ajudará nas curvas.
DEPOIS DA CHUVA: " Depois da tempestade, a bonanza". Para o motociclista esta afirmação não é verdadeira! Pois "depois da tempestade, pistas úmidas", com sujeira acumulada nos lugares das poças que ficaram secas. Cuidado! Nas pistas molhadas enxergamos as manchas de óleo com mais nitidez do que nas pistas secas. Vá na manhinha! Devagar se chega lá.
Um grande abraço a todos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Acidente Na Pilotagem - O Que Se Deve Aprender Com Eles?

"Histórias de Meus Alunos: Experiências Pessoais Sobre Pilotagem", por Tirson Goveia.

Amigos, queridos alunos, leitores e amantes da moto. O exemplo abaixo é de franqueza humildade e reconhecimento dos limites pessoais. Lendo este artigo, descrito pelo aluno Tirson Goveia, aprendendo com os erros dos outros e reconhecendo os nossos erros, é de muito mais valia do que fazer qualquer curso de pilotagem.
Por favor, leiam!
Inicialmente, quero dizer que seja qual for o acidente, seja qual for suas circunstâncias, seja quais os veículos envolvidos, sempre temos que parar e refletir a respeito.

Muito bem, e foi imbuído desse espírito de reflexão é que a partir do convite do grande mestre Amaral é que resolvi descrever as experiências absorvidas a partir do acidente vivido por mim.

Pois bem, estava eu trafegando na Av. 23 de maio em São Paulo, sentido bairro, na altura do Centro Cultural Vergueiro, num sábado ensolarado início de um feriado prolongado quando aconteceu o fatídico acidente.
  
Eu estava trafegando pela citada via, que, aliás, surpreendentemente estava livre, a uma velocidade próxima a 70 KM/h, observei um táxi que vinha costurando os outros carros.

Como eu estava voltando do centro indo para casa para pegar a esposa para descermos a serra em direção ao litoral paulista, eu estava empolgado e, portanto,  com uma pequena pressa de chegar em casa.

Aí começa o que hoje, depois de refletir sobre o ocorrido, considero uma seqüência de erros que levou ao acidente.

O meu primeiro erro reside na falta de equipamentos de segurança.

Todos sabemos que o motociclista deve usar equipamentos de segurança. Eu estava de shorts e camiseta, com capacete, claro, mas o equipamento de segurança utilizado pelo motociclista não deve se resumir ao capacete.


Por isso, confesso, fui irresponsável comigo mesmo ao trafegar em um via de trafego rápido como a 23 de maio apenas de capacete.

Outro erro por mim cometido diz respeito a falta de condução defensiva da motocicleta. Cheguei a esta conclusão, pois agora analisando os fatos fica fácil constatar que pelo simples fato de ter visto o taxista costurando, mudando de faixa diversas vezes, ele apresentava perigo.

Porém, eu, ingenuamente, não me apercebi. Bastava eu pensar um pouquinho, eu tinha tempo pra isso, ele estava a cerca de 10 metros a minha frente. Vale lembrar que a Av. 23  de maio tem quatro faixas de rolagem, portanto, mesmo que eu tomasse a decisão de ultrapassá-lo, como de fato tomei, deveria tê-lo feito, lá pela faixa por uma faixa mais afastada do taxista e não a imediatamente ao lado dele, evitando, assim,  passar próximo àquela situação de perigo.

Pilotar defensivamente, na minha humilde opinião é justamente isso…  fugir da situação de perigo, evitando colocar sua vida em perigo.


Ou seja, apesar de ter tido tempo para constatar a situação de risco, acabei chegando próximo ao taxista pela faixa imediatamente à direita dele, quando de repente, a exemplo do que ele já vinha fazendo antes, resolveu trocar de faixa (leia-se costurar) e acabou cruzando minha trajetória o que me forçou frear bruscamente,  levando a moto a derrapar e sair de frente.

Então, vê-se que eu poderia ter evitado o acidente era só eu ter me afastado da situação de perigo, porém, o excesso de confiança fez com que eu pensasse em ultrapassar rapidamente aquele carro deixando-o para traz, o que acabou não acontecendo.

Por fim, meu último erro consistiu na falta de atenção. Todo motociclista deve ter o máximo de atenção no trafego, nas pessoas que estão ao redor e nas condições da pista por onde trafega.

Com efeito, na ida ao meu destino passei pelo mesmo local, porém na pista sentido centro, verifiquei que o piso da Av. 23 de maio, naquela mesma altura, vale dizer, próximo ao Centro Cultural Vergueiro, estava passando por obras, onde foi feito o serviço que os técnicos chamam de fresagem de pavimento asfáltico, corriqueiramente chamado de raspagem do asfalto.

Ora, se estava sendo feito tal serviço de um lado da pista (sentido bairro/centro), a probabilidade de que tal serviço estivesse sendo feito no sentido inverso é, no mínimo, razoável, porém, eu, incauto, não me atentei.

E foi por não ter me atentado a tal fato é que ao chegar próximo ao táxi, para ultrapassá-lo, não bastasse ele ter cortado minha trajetória, ainda tive que frear bruscamente, justamente quando sobre o piso fresado. Resultado… não houve aderência o suficiente e a moto saiu de dianteira.

È certo, que o fato do motorista do táxi ter entrado na minha frente contribui enormemente para o acidente, porém, tivesse eu me atentado para as possíveis condições do piso naquela parte da pista, com certeza eu estaria em velocidade inferior a 70 km/h.

É certo, também, que houve um grave erro da Prefeitura de São Paulo, que não sinalizou corretamente, a existência de obras no local, porém, quando se fala de pilotagem defensiva o objetivo não é buscar culpados para o acidente, mas sim evitar sua ocorrência, por isso, pra finalizar enumero os erros que cometi:



1º Andar sem o equipamento de segurança adequado (lembrando que graças a Deus eu não quebrei nada, apenas ralei o corpo inteiro, o que não teria acontecido se eu tivesse com jaqueta e calça apropriada)

2º Aproximar-se de uma situação de perigo, mesmo após ter tido tempo para constatá-la.

 3º Ter agido com excesso de confiança, acreditando que passaria pela situação de perigo deixando-a para traz.

4º Falta de atenção na avaliação do piso, o qual que muito provavelmente poderia estar em obras, como de fato estava.

Por tudo isso, entendo que o acidente que sofri serviu para meu crescimento pessoal e para o desenvolvimento da minha forma de pilotar.

 Espero ter contribuído de alguma forma com os caros leitores do Blog do meu querido amigo Amaral, e espero que todos nós, mediante a adoção de atitudes mais gentis e cordiais, seja por parte de motociclistas, seja por parte de carros, caminhões, ônibus, pedestres, enfim, todos que compõem o trânsito, consigamos VIVER em um trânsito mais respeitoso e menos hostil.”
Amigo Tirson: você deu a todos nós uma melhor qualidade de vida. Muito obrigado!
Um grande abraço e que Deus sempre o proteja. 

sábado, 20 de novembro de 2010

DÚVIDAS DOS LEITORES: Curvas Com Motos Custons.

Caro amigo, gostei do campo DÚVIDAS e agora te amolo quase que diariamente. Recentemente  um  médico daqui com apenas 3 anos de motociclismo,  numa HARLEY grande não  deu conta de fazer a curva e foi pra cima de um caminhão numa rodovia perto de Marilha, sofreu acidente grave mas escapou... perdeu parte da perna. Jose Vitor Magnilia, secretario de saúde do prefeito local.
Agora minha dúvida é a seguinte:
Em relação às custons,(pode também esclarecer em relação às outras) as curvas são mais difíceis de serem feitas? Quando ocorre o fato  de o motociclista perder a moto (curva pra direita em subida e ele saiu pra esquerda), como aconteceu com ele, foi fatalidade ou imperícia e é comum acontecer? Qual seria a receita para todas os a grande maioria das curvas, tratando-se pista seca, pois molhada o bicho pega? Acho que você entendeu o ponto em que eu quero chegar. Um grande abraço. Sucesso. 17/11/10.

Meu grande amigo Paschoal. Há algum tempo, escrevi um artigo intitulado:"Caramba!!! Êta Curva Difícil!!" Neste post, explico os LIMITES FÍSICOS e os LIMITES DE SEGURANÇA que, independente do modelo de moto, cada uma possui. Lá, mostro,  também, uma das forças que empurra a moto para fora da curva, chamada força centrífuga (fuga do centro). Lendo o post referido, vemos que para cada modelo de moto existe uma dificuldade ou uma facilidade de condução. E, sem dúvida, um dos maiores medos estão no contexto de se fazer curvas. No caso do acidente mencionado (ou em qualquer outro acidente), não acredito em "fatalidade". Acredito, sim, na falta de conhecimento da "personalidade"que cada modelo tem. Acredito, também, na falta de atenção que o ser humano possui. A falta da previsão, onde nossas decisões viram dúvidas e, consequentemente, se anulam nossas habilidades

A dificuldade na realização em curvas depende de alguns fatores: 

1- Tipo de chassi. Geralmente os chassis tipo Berço Duplo trazem certa difilculdade nas curvas. Deixa a moto menos ágil, onde é necessário usar muita força do corpo para deitar em curvas; 

2- A distância dos eixos das rodas (chamada distância entre eixos). Quanto maior o entre eixos, mais difícil se fazer curvas; 

3- O ângulo de caster e ângulo de trail. Uma custon tem a característica de trail e caster maiores, isso torna a moto menos ágil; 

4- Rodas e pneus. Maior os raios das rodas e mais largos os pneus, também deixam mais difícil a agilidade e a inclinação em curvas. Porém, estes fatores não impedem a moto para as maravilhosas curvas em nossa frente. Lembre-se: MOTO FOI FEITA PARA FAZER CURVAS. O fato do acidente de seu amigo, e nosso irmão, é o desconhecimento da perfomance da moto. Uma Custon tem o LIMITE FÍSICO muito baixo. Além de ENTRE EIXOS e CASTER longos. Isso traz um "medo" nas entradas e saídas  de curvas. As pedaleiras ( estribo ou plataformas, no caso das Harley) encostam no chão e assustam, fazendo o piloto "lavantar"a moto nas curvas. Aí, a moto vai reta. 

Em nosso curso mostramos estes limites. O fato é que nas Custons as padaleiras encostam no chão com muita facilidade, mas mesmo assim ela faz curvas. A pilotagem de uma grande Custon é especial. Não é fácil. O desconhecido é um fator de não enfrentar os limites. Claro! Quem não conhece  não se arrisca. Mas em uma emergência, conhecer a moto é fundamental. Por isso, de uma forma ou de outra, precisamos conhecer o que temos em nossas mãos e respeitar isso. Saiba, os limites de uma moto, mesmo em uma custon, são grandes.

Não conheço nosso irmão José Vitor, mas quero homenagiá-lo como um sobrevivente. Que Deus o ilumine e o ajude a enfrentar todas as dificuldades. Mas diga a ele que meu coração ( e sem dúvida de todos meus leitores e amantes de moto) está junto ao coração dele.

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como as Fotos Podem Nos Ensinar? Por Paulo Henrique Guereta (autor das fotos do último curso de pilotagem, 10 de Outubro de 2010)

Queridos alunos e amigos. Neste último final de semana tive o privilégio de conhecer o Paulo Henrique, marido de Débora, aluna do curso de pilotagem defensiva. Ele foi para o curso fotografar sua esposa, pilotando sua Yés 125. Mas o Paulo não só fotografou sua esposa, mas o curso todo. Para mim, estas fotos são uma arte. Por isso, gostaria que todos analisassem as fotos e verificassem como esta arte, do Paulo Henrique  Guereta, poderá nos ajudar na pilotagem.
Nesta foto, vimos a Mirage 250 de Maurício em uma curva fechada. Dizem que Custon não faz curva. Será? Considerem a inclinação, o posicionamento do Maurício e, claro, a confiança dos pneus.





Vejam a Ninjinha 250 do Marcel. Reparem na roda dianteira, em curva ao mesmo lado da inclinação da moto. Em alguns cursos, mais radicais e que exigem mais velocidade, a roda dianteira estaria ao lado contrário da curva. O chamado "contra esterço". Não é o caso nesta situação.






 O garupa é o complemento do piloto. O Marcel está em minha garupa. Êta cara corajoso!!!










Nesta foto sou eu quem está na garupa da moto do Marcel. Vejam, geralmente o garupa faz a curva antes do piloto. Isto é errado!!! Pode desequilibrar o piloto.










Esta foto ficou show!


A Débora realiza um slalow, ou seja, desvio rápido de obstáculos. Atrás, outra moto a seguindo. Geralmente, no trânsito, muitos outros motociclistas ficam muito perto um do outro. Esta atitude (não é o caso da foto) pode gerar muitos acidentes, pois a proximidade com o veículo da frente poderá não dar o tempo necessário para a frenagem ou o desvio, caso o piloto da frente erre.








Aqui, o Thiago, meu "doido" assistente, está quase fazendo um "contra esterço". Esta entrada de curva é mais rápida. Dependendo do tipo de borracha e perfil do pneu, é chão!!!









Reparem na fumacinha no pneu traseiro da Ninjinha do Marcel. Fato que  prova que não é freio que pára a moto e sim o atrito do pneu com o solo. O freio só faz parar ( ou travar) as rodas. 






 



 Nos cursos tento mostrar os limites de inclinação em curvas de cada modelo de moto. Por isso o posicionamento dos pés devem sempre ficar sobre os comandos.





Taí, faça você mesmo em casa. Veja aonde está o limite da borracha do pneu (ombro do pneu ou borda de ataque)para saber qual é o limite de inclinação que sua moto pode chegar. Mas calma! Os limites não estão somente no perfil do pneu, mas também no tipo de composto de borracha e tipo de solo a transitar.

Abaixo mais arte de PAULO HENRIQUE.  Paulão. muito obrigado por ceder suas fotos. Espero tê-lo em breve para participar de outros cursos e fazer de sua arte um aprendizado a todos os amantes da pilotagem segura.

  
Perpectiva nos espelhos. Amigos, uma das maiores dificuldades do piloto estão nos ajustes dos espelhos. Algumas motos os espelhos não são convexos ( não é o caso ao lado). Cuidado! A visão de trás precisa ser vista nos dois espelhos. Fechadas serão evitadas.






Parece que está a 200 Km/h, mas não está.



       
Entrada de curva:reparem no seguimento do olhar. O Maurício está olhando para o final da curva. Para o objetivo.







Mesma situação da foto acima. Concentração no olhar.









 A parceria do Auto Shopping Global, em Santo André -SP













 A " Bizinha" do Nelson está encostando a pedaleira no chão. O cuidado neste tipo de inclinação está em não inclinar demais, pois as pedaleiras são fixas e, assim, pode fazer  o piloto ser "arremessado" para o chão.




Um forte abraço a todos. Em especial a Débora, com sua Yés, ao Maurício, com sua Mirage, ao Marcel, com sua Ninja e ao Nelson, com sua amada Biz.


sábado, 16 de outubro de 2010

DÚVIDAS DOS LEITORES (duvidas.carlosamaral@globo.com), de Paschol Pagliaro Junior

Nesta seção tento esclarecer algumas dúvidas de meus alunos e amigos. Porém, dentro do aspecto da pilotagem, o comportamento da moto em sua estrutura ciclistica
Estas dúvidas são de Paschoal, meu aluno, agora mestre.
 
Aqui vai na forma de dúvida: Motocicletas mono  cilindricas, bi cilindricas ou quadri cilindricas. Qual as vantagens e desvantagens de um e outro modelo? Manutenção (qual é a mais frágil), Custo benefício, Economia de combustível? Para rodar somente em cidade, fora de cidade e rodovias qual a melhor? Valorização e desvalorização para revenda? Qual a  melhor em torque? Qual  a melhor em final? Na questão de  estabilidade e do guidon (trepidação/pressão), qual a melhor escolha? Durabilidade do motor?

1- Motores mono ou mais cilindros.
Não há vantagens ou desvantagens em uma configuração de motores com um ou mais cilindros. Devemos nos lembrar que cilindros são compartimentos que armazenam ar e combustível para a efetivação da combustão e consequente transformação de energia gerando o torque e a potência. Para a pilotagem, os motores monociclíndricos de pequena cilindrada, deixam a impressão de sentir a moto "truculenta", parecendo que sempre, em baixa velocidade,  vai apagar de repente. Esta impressão se sente também em motores de média e alta cilindrada. Para alguns pilotos são motores "desconfortáveis". Para outros são de torque muito bom e prazeroso em pilotar. 
Saiba o seguinte: as configurações de motores com mais de um cilindro deve-se considerar o desenho desses motores.

- V2: pilotagem que se sente no coração. Torque e potência são vistas em baixas rotaçães. A batida desses motores é sentida no coração. Os motores em linha, de dois cilindros, sente um pouquinho essa impressão, porém um pouco mais suaves e um pouco menos truculentos. Motores Boxer de 2 cilindros, como das BMW, são como tratores querendo passar por cima. Há pilotos que não gostam do som emitido dos V-2 ou dos Boxer. Eu adoro.
- Linha 4: pilotagem que se sente nos ouvidos. Geralmente o torque e a potência são vistas em médias e altas rotações.São motores mais suaves. O torque e transmitido mansamente. É uma pilotagem mais "facil" A maioria dos pilotos gosta do som emitido desse tipo de motor. Dizem que é uma orquestra que incentiva a dança. Dança em alta velocidade.

- Mais cilindros: são motos mais pesadas, onde as vantagens se mostram em estradas. Não necessariamente são motos velozes, mas confortáveis. A Goldem Wing possui 6 cilindros em Boxer. Parece que está pilotando um Galaxie. A BMW lançou a nova GT de 6 cilindros em linha. Vamos ver qual seu comportamento. Acho que será aqueles motores que transformará a sensação de conforto em adrenalina da velocidade.  
2- Manutenção: manutenções fáceis ou difíceis. Acho que deveríamos nos concentrar nisso. Pois os motores darão mais manutenção se o piloto não cuidar do coração da moto de forma preventiva. Por isso os cuidados devem seguir com os conselhos de fábrica da marca.
Desta forma, as manutenções mais caras e mais difíceis são aquelas que precisam de muita mão de obra dos mecânicos. Motos Nakeds, streets ou custon não precisam de tanta mão de obra como as motos esportivas ou turing que possuem muita carenagem para serem removidas. Mas isso não é regra, pois as motos mais caras são de manutenções mais elevadas em preço. Não me pergunte porque. Regular válvulas do um motor de mais de um cilindro é mais difícil. Desta forma é mais caro e assim vai...
3- Custo benefício e economia de combustível: custo benefício de um motor dependerá de como você tirará proveito dele. Assim, um moto frete possuirá um custo benefício melhor se este motor não lhe dará manutenção frequente ou muito gasto de combustível. Tudo dependerá do tipo de uso. Assim, geralmente, os motores mono são de custo benefício melhor. Mas isto não significa que podem ser mais ou menos gastões. Um explo.: uma 250 cilindrada, monocilíndrica, com 4 válvulas, gastará mais combustível do que uma de uma mesma cilindrada, mono com 2 válvulas, em situações de pilotagem urbana.Se usará a moto mais em estradas do que em cidades, melhor motores multiválvulas com dois ou mais cilindros.São mais económicos e "forçam" menos.
4- Valor de revenda: não está relacionado com a configuração do motor, mas com o número de vendas. A moto mais vendida é a mais valorizada no mercado. Mas, deve-se considerar as "relíquias" que não tem preço e não devem ser vendidas e, sim, devem permanecer como um membro da família.
Analise o torque com o peso da moto, e a potência, em comparação as configurações dos motores. Explo.: uma Hornet, de 4 cilindros e 600 cilindradas: peso de 177 (versão ABS) kg com torque de 6.53 kgf-m e potência de 102 cv com uma CBR 600, mesma cilindrada e número de cilindros mas com o peso de 155 kg e torque de 6.73 kgf-m com potência de 120 cv. Embora sejam motos de coceitos diferentes , qual delas possuem melhor torque e potência? Compare sempre com modelos de motos do mesmo conceito ou da mesma configuração de motores. Naked com Naked, 4 cilindros em linha com 4 cilindros em linha, e assim por diante. A melhor estará baseada no conjunto que oferece.
6- "Estabilidade" do guidon: trepidações ou algo parecido com isso está relacionado ( com as motos atuais) a vários fatores. O principal deles está na falta de calibragem do pneu dianteiro ou no desgaste do mesmo. Um fator menos provável, mas ainda a ser considerado, está na calibragem da suspensão. Outro fator, nas motos com rodas de liga, no balanceamento das rodas. Mas pode ou não acreditar. O pesinho do guidon, que fica nas extremidades do mesmo, se arrancar, a moto vira uma batedeira de bolo.
7- Melhor escolha: a melhor escolha para comprar sua moto é aquela do seu sonho.

Amigo Paschoal, espero ter ajudado. não se esqueça de fazer um curso de adaptação com a sua nova moto.
Um grande abraço a todos.
duvidas.carlosamral@globo.com
imagens copiadas pelo google, com os direitos autorais reservados aos seus autores.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PILOTO DE TESTES: Burgman 125 x Biz KS 125, por Nelson Vaini Neto


 Queridos alunos e amigos leitores. Abaixo mais um  artigo de um aluno que virou Piloto de Testes.
Deixe-me falar um pouco desse amigo e aluno. O Nelson pilotava uma Burgman 125, quando, pela primeira vez, participou do curso de pilotagem defensiva. Eu, em particular, achei a Burgman uma moto surpreendente, pois não sabia que ela possuía uma performance de moto grande. Quando o Nelson comprou a Biz, o homem pilotava com tanta facilidade que fiquei com inveja e logo deixei de lado minha moto e quis entender melhor a performance da Hondinha.
Veja a análise do Nelson, sem preconceitos ou dependência comercial da Honda e da Susuki.
Boa leitura.

Olá, me chamo Nelson Vaini Neto, tenho 27 anos, sou de SP/SP, estou escrevendo para a sessão “Piloto de testes”, do blog do Amaral.
Em 2007, adquiri uma Suzuki Burgman 125 cilindradas, amarela, 0 quilômetro. Rodei praticamente 51 000 quilômetros com esse maravilhoso scooter que, apesar da baixa cilindrada, tem um motor bem arisco. Fiz várias viagens com ela, para os mais variados locais (até em lamaçal andei com ela), e a moto sempre correspondeu às expectativas. Claro, dentro de suas limitações técnicas.
Hoje, tenho uma Honda Biz KS 125 cilindradas, cinza metálica, com injeção eletrônica, ano 2009, também comprada 0 quilômetro. Apesar de ser a mesma cilindrada, a Biz é bem mais “esperta” que a Burgman, graças ao seu câmbio rotativo de quatro marchas. Atualmente, a Biz está com quase 33 000 quilômetros. Vamos às comparações entre ambas:
- A Burgman, devido seu motor estar na traseira, era mais “cômoda” pra fazer as curvas (mesmo com as rodas pequenas). Sentia a moto mais “presa” no chão;
- A Biz, devido ter seu motor na parte dianteira, e na posição deitada, tem seu centro de gravidade alterado, em comparação com a Burgman. Levei muitos sustos fazendo curvas com ela, principalmente, até me acostumar com sua ciclística. Certa vez, quase fui ao chão com ela, e ainda ainda não tinha nem placa!! Mas hoje, já estou bem acostumado, já não me assusto mais com ela nas curvas;
- A Burgman, mesmo com as rodinhas pequenas, aguentava bem os buracos e ondulações no asfalto (quem é de SP, sabe do que estou falando). Nunca tive problemas de perder o controle ou cair com ela por causa de buracos. Levei dois tombos com ela, mas foram causados por outros motivos;
- A Biz, graças às rodas maiores e ao maior curso de suspensão (em relação à Burgman), absorve bem as irregularidades do piso, transmitindo pouca vibração para o piloto/garupa. A suspensão traseira, com duplo amortecimento, transmite a sensação de mais estabilidade, principalmente, em curvas carregando garupa;
- Na estrada, a Burgman já sofria aos 90 km/h. Só uma única vez, indo pra Ilhabela (litoral norte de SP), cheguei a 105 km/h com ela (no painel);
- Na estrada, a Biz chega facilmente aos 90 km/h, e passa disso tranquilamente, sobrando bastante acelerador. Aliás, na estrada, não ando com ela a menos de 100/110 km/h. Uma única vez cheguei a 120 km/h com ela (no painel), indo pra Jaguariúna, interior de SP, e ainda sobrou acelerador (sem garupa);
- Na subida da serra (litoral sul para a capital), a Burgman, depois de uma certa quilometragem, vinha a 75/80 km/h, sem garupa. Só uma vez peguei um trecho com garupa, e não passou de 60/65 km/h. Quando era nova, baixa quilometragem, subi a 100 km/h, sem garupa. Não tive oportunidade pra testar com baixa quilometragem com garupa;
- Na subida da serra (litoral sul para a capital), a Biz sempre subiu, no mínimo, a 90/100 km/h, sem garupa. Com uma garupa de 1,71 de altura e 63 kg, veio, na maior parte do tempo, em terceira marcha a 75 km/h. Eu tenho 1,83 de altura e 92 kg. Nessa ocasião, ainda tinha alguma bagagem no bauleto traseiro e embaixo do banco também;
- Nas curvas, a Burgman raspava o descanso lateral no chão facilmente;
- Nas curvas, demorei um pouco pra fazer a Biz raspar as pedaleiras, graças à sua altura mais elevada;
- Em relação à manutenção, acho que não preciso mencionar que a Biz é mais barata em todos os “quesitos” em relação à Burgman, né?
- Nas frenagens, não notei diferença nenhuma, mesmo a Burgman usando disco na dianteira e minha Biz usar tambor na dianteira (é a KS);
- A Burgman fazia na faixa de 35 km/l. Tinha um tanque com capacidade de praticamente oito litros de gasolina;
- A Biz tem consumo na casa dos 55/56 km/, graças à injeção eletrônica. Tem um tanque com capacidade para quatro litros de gasolina.

Encerro por aqui as comparações entre as motos. Gostaria de dizer que fiz o curso de pilotagem do Amaral com ambas (Biz e Burgman) e me foi muito útil conhecer os meus limites e os limites das motos também! Recomendo à todos!

Nelson, muito obrigado por este artigo e pela ajuda a todos nós, apaixonados por motos.
Abraços a todos